A declaração da UE sobre a intervenção não-militar na Venezuela ainda encoraja uma intervenção

Arturo Desimone
O DiEM25 pode, e deve, denunciar a decisão do parlamento Europeu para aumentar as sanções sobre a Venezuela, enquanto recusamos o reconhecimento instantâneo atribuído ao deputado da oposição Juan Guaidó como verdadeiro presidente da República Bolivariana. A interferência da UE em Caracas transgride os valores da “Primavera Europeia” do DiEM25.
Frederica Mogherini, em declarações recentes, prometeu que a UE não irá empreender uma intervenção militar na Venezuela, estando interessada em procurar uma intervenção “pacífica”, pedindo novas eleições, procurando um desfecho que favoreça Guaidó.
O repúdio ao uso de meios militares é boa notícia. Mas Mogherini tem ainda que explicar porque razão as sanções contra Caracas são justificadas, apesar da ausência de pressões económicas semelhantes exercidas sobre, por exemplo, o governo de Jair Bolsonaro no Brasil, à luz das políticas extremas que debilitam os direitos humanos e a democracia. Embora a UE reivindique, em teoria, usar um método de estrangulação económica “direcionada”, até agora, as acções da UE têm reforçado e legitimado as sanções prolongadas pela administração dos EUA de Trump, desde que Obama as instaurou em 2015.
Enquanto as sanções se mantiverem, custando bilhões de dólares à Venezuela, a UE continua cúmplice no agravamento da crise venezuelana. Enquanto isso, a UE tem demonstrado através do seu tratamento dos refugiados sírios, que se a “solidariedade” para com a oposição venezuelana trouxer mais instabilidade, os refugiados venezuelanos não poderão esperar abrigo na Europa. Já podemos observar um agravamento da crise de refugiados venezuelanos em territórios ultramarinos europeus nas Caraíbas, com pouca esperança de melhorar as suas condições, visto que os governos europeus juraram não gastar “um único Euro” para amenizar a crise de refugiados venezuelanos em desenvolvimento, por exemplo, nas ilhas Caraíbas holandesas.
Ao sujeitar a Venezuela a uma escalada de pressão, enquanto deixamos o Brasil continuar neste caminho, arriscamo-nos a dar luz verde a agressores como Jair Bolsonaro, enquanto estes procuraram incentivar o conflito regional com a Venezuela. O facto de Mogherini persistir numa mera guerra económica (sanções), rejeitando apoio para pressão militar, confirma a piada que os burocratas em Bruxelas tecem sobre eles mesmos e sobre o seu chefe, “a UE continua um gigante económico, um anão político e uma minhoca militar”. A UE persiste com a arma mais potente do arsenal, guerra económica, ao apoiar sanções que tinha levantado contra o Irão, ainda antes de a UE ter regredido da guerra comercial de Trump.
Entre os princípios da Primavera Europeia, listados no manifesto do DiEM25, os seguintes, talvez se destacam:

  • Nenhuma pessoa europeia poderá ser livre, enquanto outra democracia esteja a ser violada
  • Nenhuma pessoa europeia poderá viver em dignidade enquanto esta seja negada a outro
  • Nenhuma pessoa europeia pode esperar em prosperidade, se outra estiver a ser empurrada para uma insolvência e uma depressão permanentes

As sanções sobre a Venezuela empurram o povo venezuelano para a insolvência e depressão.
O DiEM25 não pode permitir que a UE continue a ignorar a forma como a aliança dos governos de ala direita da América Latina, o apelidado Grupo Lima, tem usado todas a possíveis táticas para violar os direitos humanos e a liberdade de imprensa das populações do Brasil, do Peru, da Argentina e do Chile. Entretanto, o parlamento europeu, andou de mão dada com Trump, em apoiar a nomeação de um presidente num país estrangeiro, a Venezuela, ainda que o parlamento da MercoSur (ParlaSur) e o secretário-geral das ONU se recusem reconhecer Juan Guaidó.
Ainda que um passo positivo, a recente declaração de Mogherini é simplesmente insuficiente, quando a UE tem um papel proeminente em endossar as pressões económicas que afundam atualmente a Venezuela.
Arturo Desimone é um escritor e artista visual Arubo-Argentino, atualmente sediado entre a Argentina e os Países Baixos. Os seus artigos sobre política apareceram previamente em Open Democracy, CounterPunch, El Andén, entre outros jornais literários. Para mais informações, visitem o seu blog: https://arturoblogito.wordpress.com/
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