A evolução europeia

DiEM25 Portugal
Qui 07, 2018, Artigos
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Refundar democraticamente a Europa, incentivar uma renascença política e social a uma escala continental: estes são os objetivos que não serão cumpridos num só dia, tal como não o serão pelos métodos atuais de maquinação política.

Desde 2016, DIEM25 tem trabalhado diligentemente para construir uma alternativa viável e Pan-Europeia.
Este trabalho começou com a construção de um
movimento transnacional radical e democrático que conta com 70,000 membros. Depois seguiu com a conceção de uma agenda realista que trata de temas económicos, políticos, sociais, ecológicos que foram esquematizados por, e para, o povo Europeu. Este temas foram concebidos para restaurar a crença na nossa habilidade de trabalhar para um objetivo comum. Por fim, os nossos esforços resultaram numa plataforma eleitoral e num plano que assegure que as eleições europeias de 2019 não será a preservação da austeridade neoliberal e dos dirigentes autoritários: a Primavera Europeia.

A iniciativa Primavera Europeia é uma resposta à necessidade que a Europa tem de evoluir para além das políticas retrógradas da UE atual e tornar-se uma alternativa ambiciosa de esquerda.

Até agora, uma agenda política viável deste tipo nunca chegou a ser desenvolvida a uma escala Europeia: uma agenda que é ao mesmo tempo pós-capitalista, ecológica, feminista e baseada na partilha de riqueza, multiculturalismo, que nega o comercialismo cego e promove a utilização da tecnologia para o bem comum.

O nosso objetivo é inspirar esperança num futuro diferente e provar que a criatividade na solução de problemas, a coragem intelectual, e a resistência pode superar os desafios de trabalhar à escala Europeia.

A verdadeira fonte da crise na qual nos encontramos hoje está em como respondemos ao inevitável processo da globalização: os neoliberais influenciam-na para seu próprio benefício, os nacionalistas e conservadores religiosos apontam-na como o símbolo do declínio, as pessoas à qual afeta beneficiam somente de forma marginal, e a Esquerda mantem-se firmemente dentro das suas fronteiras mentais e territoriais.

A nossa agenda incorporada na plataforma Primavera Europeia, é inquestionavelmente transnacional, criada por Europeus, para Europeus e baseia-se na integração política global, nadescentralização da democracia, na igualdade social, e na sustentabilidade ambiental.

Não podemos pensar mais em termos nacionais; estamos fartos de lutar batalhas locais contra poderes globais onde o único resultado pode ser uma derrota heróica. As organizações que escolheram participar na Primavera Europeia estão comprometidas a seguir uma estratégia política sustentável que nos permita cumprir os nossos objetivos a longo-prazo sem sacrificar os nossos ideais para os ganhos a curto-prazo. Sim, nós vamos participar em eleições, mas mantendo-nos fiéis aos nossos princípios que definimos e seguimos juntos com outros Europeus para construir algo maior, mais forte, e mais resistente que qualquer solução que os nossos respetivos países fosse capaz de fazer sozinho.

A União Europeia, e a paz que trouxe desde a segunda metade do séc. XX tem de ser evoluída para ser preservada. Apesar da UE atual ser governada por uma tecnocracia ilegítima promíscua com lobistas das grandes empresas, e apesar do poder que detêm sobre as vidas do povo Europeu esteja a levar-nos à fratura, nós rejeitamos a ideia que a integração política na Europa é a responsável por esta situação. Como federalistas, mantemos que é a falta de integração, regulação e harmonização que permitiu que a UE a ser corrompida.

Chegou agora o momento. Com o fascismo a explorar essas fragilidades,  a ganhar terreno por toda a Europa, precisamos ter a coragem para defender a Europa como espaço da democrático e tolerante. E não só, precisamos afirmar e em voz alta, que a desintegração da UE, que muitos afirmam que restauraria a soberania nacional, vai apenas ter um resultado: económicas mais fracas, mais pobreza, e intensificação do tipo de racismo e políticas de identidade que historicamente nos levaram a guerras.

O sensacionalismo que rodeia a imigração é um exemplo do oportunismo egoísta que permite ao populismo de direita reinar e conquistar poder perdido, para o qual a nossa resposta deve ser um bem-vindo incondicional em nome da solidariedade.

O DiEM25 e a Primavera Europeia quer trazer a democracia de volta às instituições europeias, reconciliando-as com os Europeus que alienou, para que o povo possa finalmente ser verdadeiramente representado e unido. Esta é uma perspetiva intolerável para ambos os neoliberais, que manteriam o cidadão o mais longe possível do processo de decisão, como para os nacionalistas, que desejam manter os Europeus marcadamente divididos.

Os movimentos que constituem a Primavera Europeia (que, retirando o DiEM25 são em sua maioria nacionais) escolheram corajosamente ver o mundo através de uma lente muito maior, o que pode danificar as suas bases eleitorais em casa. Contudo, acreditamos que é precisamente a claridade, a coerência e a radicalidade desde movimento pan-Europeu que assegura a sua credibilidade e atratividade.

O cantor Francês Jacques Brel escreveu:

Existem dois tipos de tempo: o tempo de esperar, e o tempo da esperança.”

O tempo de esperar acabou: a construção de uma força Europeia que é capaz de falar e atuar à mesma escala que a Comissão está a tomar forma, devagar, mas inevitavelmente. A Primavera Europeia está agora a atuar como o catalisador, o que permite a Esquerda Europeísta na Alemanha, Portugal, Itália, França, Polónia, Bélgica, Dinamarca e Suécia avançar juntos. O tempo da esperança chegou.

Avançamos passo a passo: primeiro espalhamos as nossas ideias. Desde o outono, a Primavera Europeia tem viajado desde Nápoles a Copenhaga, de Lisboa a Paris, e mais recentemente a Varsóvia, a unir os seus membros e a receber recém-chegados em cada passo deste caminho, enquanto desenvolvemos um manifesto comum através de  encontros públicos transparentes.

Em segundo, através da publicação e troca de ideias. No outono de 2018, no primeiro aniversário da Primavera Europeia, o esquisso final do nosso manifesto comum, o European New Deal, vai ser publicado e disponível a todos. É às costas desta conquista, e com os movimentos das organizações, associações e indivíduos que se juntaram à Primavera Europeia, que vamos partir para uma campanha por toda a União Europeia, à qual temos tanto carinho.

Na totalidade da agenda da Primavera Europeia, as eleições são exatamente isso; apenas uma primavera, apenas o princípio de um processo de transformação. A qualidade a longo-prazo dos nossos objetivos é evidente na forma com que construímos a nossa agenda e no faseamento do nosso plano para o futuro.

Percebemos que as diferenças culturais podem complicar o processo de estruturar uma verdadeira agenda Europeia, mas como não pretendemos aceitar a guerra ou alienação perpétua da sociedade como alternativas, estamos confiantes que a razoável e radical natureza da nossa agenda pode e deve permitir que prevaleça. Este é o porquê de os membros da Primavera Europeia consultarem-se constantemente em matérias relacionadas com compromissos locais, tal como formar coligações ou tomar posições em temas locais. Ao trabalhar desta forma, conseguimos desenvolver métodos comuns apesar das disparidades históricas e culturais.

É o nosso desejo, como membros do DiEM25 e da Primavera Europeia, não só para transmitir e difundir a nossa esperança por uma Europa renovada, mas também para criar um veículo político capaz de realizar essa esperança.  

Frédéric Kalfon é um membro da coordenação do DiEM25 francês

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