Comércio de lixo

Precisamos de falar sobre lixo, especificamente sobre o problema do teu lixo. O teu problema é o nosso problema e o nosso problema também é o teu. Nenhum país é uma ilha, no que toca a poluição e lixo plástico, mesmo que o teu país seja em si uma ilha.
No dia 29 de Maio de 2019, a Malásia anunciou que irá devolver o lixo não-reciclável aos países ricos. O segundo país do Sudoeste asiático a fazê-lo, após as Filipinas.
Nas últimas três décadas, a China tem importado metade do comércio mundial de  resíduos plásticos. Isso mudou em 2018. Uma proibição do plástico foi estabelecida e a China parou de importar resíduos plásticos. A China importou entre 7 a 9 milhões de toneladas de resíduos plásticos anualmente, durante o período de 2010 a 2016. Em 2017 foram 1,2 milhões de toneladas. Foi adicionalmente reduzida para 30000 toneladas por mês em 2018. Todo o lixo que a China não queria, encontrou o seu caminho para os países do Sudoeste asiático. Chegou ao Vietnam, à Tailândia e acima de tudo, à Malásia.
As importações de plástico da Malásia chegaram a um milhão de toneladas. Um aumento de três vezes mais, quando comparado com 2015. Demasiado para um país pequeno! A Malásia é um lugar ideal para os recicladores chineses porque os dois países já fazem muito comércio juntos e existe uma comunidade local falante de mandarim. Foi fácil para eles montarem a barraca numa indústria de reciclagem de plástico em crescimento. As importações de lixo foram contrabandeadas ou os manifestos de embarque foram deliberadamente mal rotulados. A maioria dos resíduos de plástico era lixo doméstico, que é sujo e difícil de separar. Recicladores ilegais queimaram esses resíduos para se verem livres de plástico não-reciclável.
Uma pequena cidade na Malásia tem perto de 17 milhões de kg de resíduos plásticos. Sítios ilegais para reciclar plástico brotaram à volta da cidade. A água e o ar estão poluídos. Estão de tal forma poluídos, que os residentes exibem erupções cutâneas, asma e expectoram sangue.
Os resíduos plásticos encontrados por toda a Malásia, advém de países desenvolvidos. Baseado no relatório da Greenpeace, vieram: dos EUA, do Reino Unido, do Japão, de Espanha, da Alemanha, do Canadá, da Austrália, etc. É uma atitude colonial, países ricos exportarem lixo para os países pobres. Não temos nós, pessoas do hemisfério Sul, o direito a ar limpo, água potável e um ambiente puro? Vocês pensam que o vosso lixo será reciclado. A Europa tem um rácio de reciclagem de 40% e é ainda mais baixo noutros sítios. O lixo que não é reciclado é largado em aterros ou incinerado. A proibição chinesa agravou o problema do lixo. Os países desenvolvidos não fazem ideia de como lidar com a proibição do plástico na China, que o lixo foi exportado para países pobres, como o meu.
O Lorax de Dr Seuss conta-nos sobre o dano de pensar e agir a curto prazo, da ganância empresarial e capitalista causando catástrofes ambientais. Nós não prestámos atenção aos seus avisos. Eu imploro-vos, por favor, façam o que puderem para reduzir o uso de plástico único. Precisamos de declarar guerra ao desejo consumista e ao consumismo em massa.
Jacob Lim, membro da CED temática pela Política de Paz e Internacional

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