Galbraith sobre o Plano X: O meu amigo, o ministro das Finanças Yanis Varoufakis, levou a cabo as suas responsabilidades com distinção

DiEM25 Team
Qua 07, 2016, Artigos
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Welcome to the poisoned chalice (book cover)

James K. Galbraith, membro fundador do DiEM25, escreve em exclusivo no site do DiEM25 sobre o seu mais recente livro e contribuição para o Plano X do primeiro governo SYRIZA – um plano defensivo para ser activado se os credores da Grécia colocassem em prática a sua ameaça de colocar a Grécia fora do Euro, em resposta à determinação do novo governo em renegociar o falhado “programa grego” com a troika. Ontem, no primeiro aniversário da corajosa votação OXI por parte do povo grego, a oligarquia dos meios de comunicação gregos tentaram explorar o livro de Galbraith para indiciar, censurar ou, simplesmente, vilipendiar Yanis Varoufakis. O seu veneno contra o OXI e Varoufakis é prova de que a memória da Primavera de Atenas ainda os assombra. No artigo abaixo, James K. Galbraith deixa bem claro: A equipa que trabalhou no Ministério das Finanças sob Varoufakis, foi a única das partes que durante a negociação de 2015 cumpriu o seu dever plenamente e diligentemente, servindo a democracia da Grécia, observando a Constituição e recuperando a sua soberania nacional. Infelizmente, após o esmagamento da Primavera de Atenas, permanece activa uma campanha de grande escala que vai no sentido de difamar os justos. O DiEM25 convida todos os democratas europeus a manterem-se vigilantes. A tentativa de esmagar o espírito da Primavera de Atenas, que permanece vivo e de boa saúde na Grécia apesar da derrota do ano passado, poderá danificar permanentemente as perspectivas de uma Europa democrática.

 

James K. Galbraith escreve:

As minhas ligações familiares à Grécia datam da relação de amizade entre o meu pai e Andreas Papandreou, colegas enquanto professores de economia nos Estados Unidos na década de 1950. Em 2010 cheguei a Atenas para dar apoio moral num momento difícil de George Papandreou, então recém-eleito. Conheci Yanis Varoufakis em 2011, e ajudei a organizar a sua estadia de dois anos na Universidade do Texas, em Austin, a partir de 2013. Durante esse tempo também estabeleci um contacto amigável com Alexis Tsipras e outros membros de seu círculo. Estas ligações, aliadas a uma preocupação cada vez maior do efeito da tragédia grega na Europa e no mundo, levou ao meu compromisso – como voluntário e amigo – para com o Ministério das Finanças, desde o início de Fevereiro até ao início de Julho de 2015.

Sabíamos, desde o início, que o novo governo Syriza enfrentaria um desafio difícil ao tentar persuadir instituições intransigentes, ministros das finanças hostis e chefes-de-estado cautelosos para modificar um programa económico fracassado, que havia sido imposto, em primeiro lugar, não para ajudar a economia grega mas para salvar os bancos franceses e alemães. A missão do Ministério das Finanças era, portanto, diplomática e política, e o meu papel era, principalmente, ajudar escrevendo e falando em público, à imprensa internacional, e manter informados os amigos e simpatizantes da causa nos Estados Unidos e em outros lugares.

Welcome to the Poisoned Chalice (Yale, 2016) é uma coleção dos meus escritos, entrevistas e discursos sobre a Grécia a partir de 2010, até ao verão de 2015. A maioria deles foram publicados na época. Juntos, transmitem o sabor dos primeiros meses SYRIZA, tal como eu os experienciei, juntamente com as minhas apreciações sobre a economia e a situação política.

Como o livro relata, em Março de 2015 Yanis Varoufakis perguntou-me se eu poderia ajudar com uma tarefa delicada. Esta era a elaboração de um plano preliminar – solicitado pelo Primeiro-Ministro – para a eventualidade de a Grécia poder ver-se forçada a sair do Euro. Todos nós sabíamos que os eventos acabariam por construir um clímax até ao final de Junho. Nós não sabíamos – nem poderíamos saber – qual a forma específica desse clímax. Era necessário que nos preparássemos para o pior. Trabalhei no plano com um pequeno grupo durante cerca de seis semanas, e apresentei um memorando – o “Memorando Plano X ” – nos primeiros dias de Maio.

O nosso trabalho contou com a perícia financeira e jurídica de nossa equipa, com a literatura académica sobre transições de moedas, com um pequeno número de conversas particulares com especialistas de confiança, e com o nosso próprio conhecimento da situação económica e social grega. Esperávamos fornecer um esboço de medidas que poderiam ser tomadas e dos problemas que poderiam ocorrer. Estávamos bem conscientes das dificuldades que a Grécia teria de enfrentar se fosse forçada a deixar o euro, e também dos perigos que se seguiriam se o nosso trabalho se tornasse conhecido. Por estas razões, trabalhámos em silêncio, sobretudo fora de Atenas. A maior parte do governo grego – tanto de fora como dentro do Ministério das Finanças – não esteve envolvido.

As questões em torno de uma saída forçada do Euro eram assustadoras: elas vão desde a relação jurídica com a União Europeia até à criação e gestão de um novo banco central, mecanismos de fornecimento de liquidez confiável a curto prazo, ao eventual apoio externo à nova moeda, à transformação de depósitos bancários e dívidas privadas, ou até algo tão fundamental como assegurar a manutenção do fornecimento de bens de primeira necessidade, incluindo alimentos, combustível e medicamentos. Nós não podíamos saber como reagiriam as forças políticas e sociais gregas. O nosso trabalho foi o de avaliar estas considerações na medida em que podíamos – um elemento não poucas vezes muito limitado. Não era a nossa missão fazer recomendações, e não fizemos nenhuma. Preparámo-nos para um cenário que todos esperavam evitar.

No final, Yanis Varoufakis, o Ministro das Finanças, discutiu o nosso trabalho com o Primeiro-Ministro, e o Primeiro-Ministro, como todos sabem, tomou uma decisão. Essa foi a decisão tomada pelo Primeiro-Ministro. Deixei a Grécia no dia 7 de Julho de 2015, com uma mistura de emoções. Por um lado, desejava um melhor resultado para o povo grego, um apoio mais forte por parte dos amigos da Grécia, um pouco mais de flexibilidade por parte dos credores, que nunca apareceram. Por outro lado, senti-me satisfeito por ter prestado serviço a uma boa causa. E a certeza que o meu amigo, o Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, realizou as suas responsabilidades com distinção.

James K. Galbraith é professor da Universidade do Texas, em Austin.

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