DiEM Voice com casa cheia no evento “Here and Now” em Londres

A 10 de Outubro, o DiEM25 e o DiEM Voice aterraram em Londres para o seu evento “Here and Now” (“Aqui e Agora”) no Platform Theatre na Central Saint Martins.

O nosso movimento juntou cerca de 250 pessoas, incluindo ativistas do DiEM25 de todo o continente, e um conjunto estelar de oradores (como Brian Eno e Bobby Gillespie) para apresentarem um caso para a democratização da cultura e das artes.


Relatório do evento

A noite começou com uma peça em tecido acrobático por Kit Hill, membro do Coletivo Coordenador do DiEM Voice, na qual indicou que o futuro distópico já existe Aqui e Agora.

Igor Stokfiszewski, também membro do mesmo organismo, abriu o evento introduzindo a audiência ao DiEM Voice e explicando como poderiam participar, através do envio de questões ao moderador, que as inseriria na discussão com os oradores.
Em seguida, o co-fundador do DiEM25, Srecko Horvat, iniciou a conversa perguntando “… onde estamos Aqui e Agora, no que toca à arte e cultura?”.

O membro do Coletivo Coordenador do DiEM25, Brian Eno, subiu ao palco para discutir o papel e a importância da arte e criatividade. Começou por dizer que “em quase todas as discussões sobre arte, quase ninguém pergunta, nem responde à questão: o que é que ela faz mesmo por nós? Logo, no centro de todo este debate sobre diferentes tipos de arte e aquilo que os artistas andam fazendo, ninguém diz porque é que a arte existe realmente.” E continuou, “as crianças aprendem através da brincadeira e os adultos brincam através da arte”, acrescentando mais tarde que “os totalitaristas desencorajam os comportamentos criativos. Eles gostam de arte, mas só na forma de publicidade, como propaganda, porque consolida o sistema”. Eno concluiu dizendo, “para mim, a questão é que formamos sociedades que não só têm espaço para a criatividade como também lidam com ela constantemente e esforçam-se para combater disrupções desse tipo”.

Rosemary Bechler, também do Coletivo Coordenador, discursou sobre como a criatividade deve operar além-fronteiras e limites, dizendo: “se vamos reinventar as nossas culturas democráticas, precisamos de habilidade para conseguirmos realmente atravessar esses limites e mudar a mentalidade das pessoas. E, para tal, a minha premissa é que precisamos de uma cultura de abertura e generosidade que reconheça a vulnerabilidade como força”.

Bobby Gillespie, dos Primal Scream, falou sobre a importância de dar aos jovens tempo e espaço para serem criativos. Acrescentou: “o meu interesse pelo punk-rock eventualmente levou-me a uma vida criativa. Nunca andei numa escola de artes, nunca fui à universidade. Trabalhei numa fábrica, larguei a escolaridade aos 15 anos. Tudo aquilo estava fora do meu alcance e eu nunca achei que me poderia tornar uma pessoa criativa, por isso devo mesmo tudo aos Sex Pistols, que foram como meus professores de arte”.

Danae Stratou, membro do Coletivo Coordenador do DiEM Voice, falou sobre o seu trabalho a gerar atenção para as crises ambientais, sociais e económicas através da arte. “Em Elefsina foi-me dada uma oportunidade pelas autoridades locais, uma fábrica abandonada onde conseguiria criar uma instalação a larga escala. Inspirada pela preocupação ancestral da região em torno da vida e morte, a tarefa que atribuí a mim mesma foi a de criar uma instalação específica para aquele lugar, que ligasse uma variedade de questões através da linguagem da estética”.

Respondendo a uma questão do moderador do evento, Mary Fitzgerald, sobre o título dessa mesma instalação (Upon the Earth, Under the Clouds), Stratou disse que “o título foi a chave. Veio de um documentário que vi. Foi em 2015 que comecei a ir àquela área e a observar, e fui convidada a dar uma vista de olhos e talvez apresentar uma proposta. Foi nessa altura, no verão, que começámos a receber aquelas imagens de bebés e crianças a afogarem-se na tentativa de chegarem à Grécia. Foi muito devastador, eu congelei completamente e pensei: ‘O que pode fazer a arte num momento como este? Qual o seu papel?’”.
O co-fundador do DiEM25, Yanis Varoufakis, iniciou a sua intervenção dizendo que “para democratizar a sociedade, para tornar a arte num instrumento de defesa das vítimas da guerra de classes, temos de transcender as disrupções individuais. Precisamos que as nossas intervenções tenham lugar nas ruas, nos bairros, nas escolas públicas degradadas, nas comunidades”.

Varoufakis continuou: “o DiEM25 Voice, com o nosso evento aqui na Central St. Martins, está a convidar todos a debaterem a agenda de políticas de arte e cultura; a agenda que será a mais capaz de nos ajudar a vencer esta guerra. Uma agenda política por si só é claramente inútil. Mas um movimento progressista precisa de uma agenda para se inspirar, para ter um guia daquilo que queremos fazer assim que nos tornarmos poderosos o suficiente para conseguir algo significante”.
Igor Stokfiszewski encerrou o evento com o seguinte poema, que escreveu com base nas intervenções de cada orador e de algumas intervenções apresentadas através do DiEM Voice:

Culture war Here and Now,
The creative pleasant battleground.
Dangerous commodification at the very end of the auction.
Culture War.
Marginalised groups drew poetry from the future.
Where are we going.
Dance and madness.
Grown ups play in the dark.
Nationalists, the new fascist international is not dangerous.
What you need to defeat them is time, company and a little bit of money.
Culture war Here and Now.
Thousands of refugees, de-industrialisation of Greece, unemployment, humanitarian crises, language of aesthetics.
Art is an instrument of class war.
Class war Here and Now.
Bring on a new Europe. Clap your hands.
Get out of Saint Martins and fight!
Estamos agora a convidar toda a gente a debater o 8º pilar da nossa Agenda Progressista para a Europa: Uma Visão para a Cultura. Descobre como participar clicando aqui.

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